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Trata-se de um dos melhores e mais inteligentes filmes baseados em histórias em quadrinhos! Com uma história eletrizante, V de Vingança trata de um assunto básico: o poder de mudança que o povo tem em mãos.
Em
1.605, um homem tenta explodir o parlamento inglês. Este homem, vira a fonte de
inspiração para uma figura sob codinome V, cuja ação e idéias são contrárias ao
governo opressor vigente na Inglaterra em 2030.
CONCEITOS PARADOXAIS DO
FILME
·
A
carne (materialidade) x A idéia (imaterialidade)
A perecibilidade do que é material em
oposto a vigência atemporal do pensamento.
- Homens morrem, idéias não
- Por baixo dessa máscara não há só
carne, por baixo dessa máscara há idéias, e idéias são a prova de balas.
·
Em
dado momento, V se identifica como a vítima vestida de vilão. O que remete a
postura dual que um ser humano pode assumir: bom e mau ao mesmo tempo.
·
O
discurso é diferente da prática: o tempo todo se fala em paz e proteção
mantidos através da violência e da repressão. Comportamento observado tanto no
governo repressor, quanto no personagem V. A Violência é usada no lugar do
diálogo
·
Musica
clássica x explosões: a idéia do sincronismo perfeito da música “1812
Overture”, de Tchaicovsky em oposição ao caos do barulho de uma explosão
·
Pessoas
em pânico são perigosas para si próprias e para quem as cerca.
·
O
que é considerado certo pelo governo é diferente do que deve ser feito para que
a justiça ocorra.
·
Alguns
alimentos são proibidos para a população, mas não para o Chanceler.
·
A
verdade x O que o governo quer que a população pense
·
O
diferente vira o perigoso
·
Palavras
insignificantes se tornam assustadoras
·
Materiais simples e inofensivos utilizados na
fabricação de bombas altamente destrutivas
·
Pessoas
diante da TV: submissas e acomodadas x Pessoas longe da TV criticas e agentes
de transformação
COMPARAÇÕES
Idéias
tão fortes quanto armas de fogo.
Fogo
e explosões como mudança
MEIOS DE REPRESSÃO E
MEIOS DE CONTROLE
A
fé das pessoas se tornou um meio de controle. Porém não se tratava de qualquer
fé. A religião islâmica foi notadamente proibida e reprimida.
Sequestro
e assassinato dos sujeitos que não se encaixam no padrão (homossexuais) o que
contestavam a ordem imposta (pais de Eve, sr. Dietrich)
Toques
de recolher para a proteção dos sujeitos
“Homens
dedo” homens com poder para julgar e prender pessoas que estavam fora do padrão
da ordem, mesmo que minimamente
Violência contra a mulher de maneira bastante explícita
A
música “1812 Overture”, de Tchaicovsky, tocada durante a explosão, é proibida
de ser executada no país.
Vigilância
através de grampos telefônicos, câmeras intimas dentro das casas, câmeras
externas nas ruas e antena de captação de sons de longa distância
Notícias
fabricadas pelo governo, que obrigatoriamente são passadas pela mídia
- A explosão foi uma demolição com
espetáculo de fogos
Identificação
a distância pela retina
Jornal
“ A voz de Londres”, onde o jornalista é um grande militar e empresário do ramo
farmaceutico, que emitia suas opiniões interesseiras em fins próprios,com
roupagens de verdade.
Mídia
completamente manipulada
Chanceler
como eufemismo para ditador
Falta
de privacidade
Censura
de obras de arte, músicas e do alcorão (livro da fé islâmica)
Controle
do tipo de comida que a população ingeria
Extinção
de uma espécie de flor
Armas
biológicas
Campos
de concentração de teste biológico em seres humanos
A monopolização da cura como forma de
dominação.
INTERTEXTUALIDADES
A Festa do Chá de Boston (em inglês:
Boston Tea Party) foi uma ação de protesto executada pelos colonos
ingleses na América contra o governo britânico,
no qual destruíram muitos caixotes de chá pertencentes à Companhia Britânica das Índias
Orientais atirando-os às águas do Porto de Boston. O
incidente, que teve lugar a 16 de
Dezembro de 1773,
constituiu-se em um evento-chave no desenrolar da Revolução Americana e permanece como um
acontecimento-ícone na História dos Estados Unidos. Os colonos
disfarçaram-se de índios para invadir os navios da Companhia e atirar a carga de
chá ao mar. O mentor do protesto, John Hancock,
viria a ser Governador. (extraído da Wikipédia),Canção garota de Ipanema,Canção
Cry me a River,Música “1812 Overture”,Livro “O conde de Monte Cristo” de
Alexandre Dumas,Livro “Macbeth” de William Shakespeare,Livro “Fausto” de Goethe,O
filme trata de uma sequencia de assuntos similares ao livro “1984” de George
Orwell
Uso de expressões em latim, italiano e
francês ao longo de todo o filme.
SIMBOLISMOS
O
filme trata fortemente do poder que as pessoas atribuem aos símbolos e de como
os símbolos são fortes e influenciam o pensamento das pessoas. Sozinho, um
símbolo não tem nenhum significado. O símbolo tem força após as pessoas
conferirem a ele poder.
O
chanceler como símbolo da repressão
V
como símbolo da verdade e da justiça
O
homem feito de carne é um símbolo
A
mudança da ordem de uma nação inteira atribuída a um único homem
Cartazes com
os dizeres “ Strenght through unity. Unity
through faith” (A força através da união. A união através da fé) espalhados por
toda a cidade.
Homem
bomba como terrorismo, ao invés de agente de mudanças necessárias
O
poder das palavras: as palavras são um meio de significado
Igualdade,
justiça e verdade como perspectiva
V
mascara grupos de pessoas em dois momentos do filme, expressando que sua idéia
havia se multiplicado. Em um primeiro momento, a força. Em segundo momento, após
reflexão e adesão do povo. A idéia tomou o lugar da identidade própria e única
de cada pessoa e se tornou um pensamento coletivo forte.
Fogo
e explosões como meio de limpeza, queima de arquivo.
O
excesso de livros e obras de arte na casa de V representam o conhecimento do
personagem
O
prédio do parlamento é símbolo da opressão do governo
EFEITOS EM CADEIA
A
maior potência do mundo, os EUA, se encontra falida pela disseminação de uma
arma biológica para a qual não teem o antidoto. Aparentemente, a nação não
sabia que se tratava de uma doença fabricada. Nesse contexto, eles tentam
trocar alimentos pelo remédio desenvolvido na Inglaterra, que é eficaz contra a
doença. “A voz de Londres” sugerem uma reação idêntica a que os EUA tiveram no
séc. 18, quando ainda eram colônia da Inglaterra, conhecida como “Boston Tea
Party”.
Os
cartazes do governo espalhados pela cidade sugerem que a “força” (que pode ser
a violência e a opressão) é conseguida através da união (idéia falsa de união
do povo propagada). E que a união é conseguida através da fé.
O
medo leva a submissão
O
questionamento leva ao caos
O
comodismo – a tranquilidade da repetição da rotina diária propiciou que um
governo tiranos se apossasse do país.
Interesses
financeiros como base de um desastre humano
Você
não tem mais medo, então está livre. Quando se critica, se tem outra
perspectiva. Quando temos medo, nos alienamos e ficamos presos a um único
conceito, que pode estra preso a uma noção distorcida da realidade.
Imprensa
e noticias geraram insegurança
Mudança
de dentro para fora: Eve
QUESTIONAMENTOS
- Quem é só a forma que deve ter um
por quê. E eu sou um homem de máscara. Mesmo após esta frase, a observadora
crítica Eve não questiona “por que” e sim “quem”, contrariando o foco de V.
Questiona-se o filme inteiro sobre a identidade do personagem, mas o por que é
desenrolado através do filme, a medida em que V instiga as pessoas a
questionarem de maneira crítica e incisiva o modo em que elas escolheram viver.
- V diz que não luta pela vaidade e
que sua figura representa uma “vox Populi” (voz do povo) esvaziada.
Os
seres humanos usados no teste da arma biológica foram tachados de fracos e
patéticos por definharem ao receber cargas da doença
Televisão
que aliena, pessoas que se deixam ser alienadas ao abrirem mão de seus
espíritos críticos em troca de serem “cuidadas” por um estado concentrador e
ditatorial.
Quem
são “aqueles que não querem que falemos”? O filme trata de duas esferas
(industrial e governamental) que oprime uma esfera (a população)
O
direito de discordar. "Posso não concordar com
nenhuma das palavras que você
diz, mas
defenderei até a morte seu direito de dizê-la." (Françoise Marie Arouet Voltaire, pensador Francês do séc
18, que se opunha ao estado totalitário de Luís IVX)
De quem é a culpa? Uns são mais
culpados do que os outros, porém as pessoas reprimidas se deixaram reprimir. Há
falta de bom senso das pessoas.
Não há certeza – só oportunidades. Em
passagens do filme, V sugere que esperamos que algo aconteça de alguma maneira
baseados em um conceito. Mas a certeza é diferente do que é a oportunidade.
O povo não deve ter medo de seu
governo: o governo é que deve ter medo de seu povo. O medo está no lugar do
respeito?
A voz de Londres era um programa que
transmitia os interesses de um grande empresário ligado ao governo
As pessoas percebem as mentiras mas
preferem ouvi-las.
O governo apaga as provas do que ele
quer que seja esquecido ou não chegue ao conhecimento das pessoas.
V como representação da força de
adaptação e sobrevivência humana. A cura da doença veio do próprio ser humano.
Industria farmacêutica alimentada pela
criação de um vírus.
Programas de humor como questionadores
da situação do país
A nossa integridade é vendida por tão
pouco, mas ela é tudo o que temos.
Os interesses de um pequeno grupo
acima dos interesses de uma nação
“Em alguns momentos, a naturalidade de sua frieza
impressiona (seu reencontro com a doutora, em especial, está cheio de
significado). Mas é justamente isso que o torna o anti-herói perfeito, o
contra-tipo do que estamos acostumados a ver nos filmões estadunidenses: ele
não está preocupado com o politicamente correto, não é tomado de súbitos
ataques de piedade, sua memória é sólida, não atende a rompantes de súplica
hipócritas e duvidosos e, principalmente, não poupa nem aqueles que mais ama
quando sabe que aquilo irá libertá-los. V, aliás, é um homem lúcido e
consciente. Está decidido em suas ações, quer cumprir o que ele mesmo designou.
Nem mesmo o inesperado amor por Evey Hammond (vivida pela belíssima e talentosa
Natalie Portman com energia e credibilidade) pode fazê-lo mudar. A história de
amor entre V e Evey, inverossímil e duvidosa numa primeira instância, salva-se
de cair no clichê em seu ato final. O diálogo decisivo que estabelecem não é
sobre o amor em si, mas se referem à idéia, ao legado, a revolução. Ao
contrário do que possa transparecer, há muito pouca ação em "V de
Vingança". Toda a batalha do filme se trava no campo dos pensamentos, da
ideologia. Não é pela força, mas pelas palavras, que V seduz pouco a pouco a
população da Inglaterra, oferecendo a eles todo o necessário para a sua
insurgência (e o modo como isto acontece, num ato carregado de estratégia e
simbologia, gera um efeito estético admirável). "V For Vendetta" é um filme surpreendentemente
corajoso, incisivo e cerebral. Toca, abertamente, em algumas das maiores
feridas da política contemporânea. Congrega, com fluidez, as características
fundamentais de uma grande obra. Os irmãos Wachowski, com ele, constroem uma
carreira marcada por aquilo que julgam de mais importante: a emancipação do ser
humano. Os blockbusters que criam são completamente outsiders, ou seja, vão de
encontro a toda tradição do formato, andam por caminhos completamente estranhos
a ele. E toda vez que o grande entretenimento presta-se a fazer o público
pensar, algo de novo acontece. Pois, como eles mesmos dizem, "idéias são à
prova de balas". E quando o último "V" surge no céu, estamos
prontos para assumir nossa responsabilidade na história.” Extraído de duplipensar.net.
Detalhe: ao encontro de: significa ser igual a. De encontro a: significa ser
diferente de.

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